Projeto e livro Felinas

Não é novidade que os padrões existem e que muitas vezes eles nos afetam diretamente, como nos vestir, como nos portar e até como o nosso corpo dever ser! Quem nunca se olhou no espelho e pensou que sua pele poderia ser melhor, que queria ser mais magro e em mais um milhão de “defeitos” os quais nos são refletidos?

Através do nu artístico, o fotógrafo Humberto Mota nos mostra garotas que passaram por cima de seus “defeitos” e posaram para o projeto que virou livro, Felinas.

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Para mim o mais interessante em folhear o livro era me pegar pensando em como aquela garota era linda e segundos depois ver que ela tem uma celulite no mesmo lugar que eu tenho ou mesmo uma dobrinha na barriga, sabe? Quantas vezes deixamos de usar uma roupa que gostamos ou mesmo de ir à praia de biquíni só porque temos vergonha de nossos corpos? É quase como se usássemos máscaras o tempo todo para esconder ou mesmo para aparentarmos ser aquilo que não somos.

É um ensaio que merece ser apreciado com muita sensibilidade! Em cada foto está escondida uma mensagem, só temos que olhar com cuidado :)

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Quanto ao acabamento do livro, muito bom mesmo! O livro ser capa dura para mim faz toda a diferença, além da qualidade de impressão das fotos estar ótima! A diagramação e a quantidade de fotos selecionadas foi perfeita para se passear por todas as fotos sem ficar monótono.

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O Felinas foi o primeiro projeto desenvolvido pelo Humberto e mesmo passando uma mensagem forte por trás, ele teve que lidar com fortes tabus e preconceito por trabalhar com esse tipo de fotografia, além de enfrentar os desafios de produzir e poder ter em mãos o seu primeiro livro.

Para saber como tudo foi acontecendo e se concretizou, eu fiz uma pequena entrevista com o Humberto que vocês podem conferir logo abaixo:

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ccdr: De onde surgiu a ideia de fazer o ensaio “Felinas”?

H: Sempre gostei de ensaios intimistas. Lendo a HQ “Morte” – Neil Gaiman – a personagem principal comenta muito fortemente sobre a criação de “máscaras”, por parte da humanidade, para conseguir atingir determinados objetivos. Pensando nisso, resolvi desenvolver um projeto que envolvesse nudez e máscaras, provando que o rosto é a única parte que precisa estar coberta quando o corpo está nu. O nome surgiu após assistir o ultimo episódio do meu seriado favorito – Breaking Bad – chamado Felina.

ccdr: O que você quer passar para o público através das suas fotos?

H: O principal objetivo geral do projeto é tratar a nudez de forma natural. Mostrar que apesar do corpo estar nu, as atitudes tomadas não precisam ser, necessariamente, sexuais. Os objetivos específicos são: Gerar discussão sobre o assunto nudez e ver até que ponto as pessoas se deixaram corromper pela sexualidade; Provar que as máscaras são as reais formas de “proteção”, não as roupas.

ccdr: Como foi trabalhar com meninas voluntárias, algumas sem ser modelos profissionais?

H: Sem dúvida nenhuma, foi muito mais divertido e desafiador. Nenhuma das participantes era modelo profissional, isso permitiu uma maior liberdade e naturalidade da realização dos movimentos. Durante as fotos do projeto, eu costumo não direcionar as modelos, deixando-as a vontade para fazerem o que sentirem vontade. Na minha concepção, quanto mais espontâneo, mais bonito.

ccdr: Como foi o processo criativo, a escolha das locações, a iluminação, etc…?

H: As locações são definidas pelas próprias modelos e é ai onde entra o meu desafio. Eu trabalho apenas com a luz natural, o que torna ainda mais complicado a realização das fotos, já que eu, geralmente, nunca estive nas locações e não sei como a luz se comporta nelas. Ao chegar na locação, tento dar uma olhada rápida pelo local todo, a fim de compreender o comportamento da luz nos cômodos, definindo os locais de movimentação da voluntária.

ccdr:  Você sofreu algum tipo de preconceito? Como lidou com isso?

H: Sim. Ainda hoje, é muito difícil trabalhar com o nu sem ser julgado por pessoas de mente pequena. Logo que eu iniciei o projeto, recebi -diariamente- comentários e e-mails de cunho machista e violento, me chamando de tudo, inclusive de aproveitador.

Outro ponto que me marcou bastante foi na hora de produzir meu livro. Como as editoras não acreditaram no projeto de um “menino” (tenho 20 anos), resolvi produzir em uma gráfica off set local, desembolsando tudo sozinho. Assinamos os contratos e o livro foi para a área de produção – ou, pelo menos, foi o que eu pensei. – No dia da entrega, recebo uma ligação do gerente me chamando para uma reunião. Nessa reunião, foi dito para mim que meu livro não seria impresso pois eles não trabalhavam com pornografia e isso feria os padrões morais e religiosos da empresa. Veja bem: Estávamos no dia final para a entrega do material e com todos os contratos assinados.

Acho que, no fim das contas, meu trabalho mostro a que veio e calou a boca desse pessoal. Sempre procurei manter o respeito para com a opinião dos outros e, dessa vez, não foi diferente. Não gostou do projeto? Não acompanha; Não compra os livros… Mas fica na sua. Não precisa ofender ninguém pra mostrar que você não está satisfeito. Sempre consegui alcançar MEUS objetivos com muito suor e trabalho, e acho que isso ofende algumas pessoas.

ccdr: E seu projeto virou livro, não é?! hehe Conte-nos como tudo aconteceu!

H: Era uma vontade minha desde o início. Mesmo sendo recusado por todas as editoras que eu conheço, resolvi investir do meu próprio bolso para que isso se concretizasse. Entrei em contato com alguns amigos e consegui tocar o projeto pra frente. A Ood estúdio fez basicamente tudo o que foi necessário. Diagramação, produção, contato com fornecedor… Tudo ficou a cargo deles.
Por sorte – ou não – antes da chegada dos livros, mais de 75% das cópias já estavam vendidas. Isso mostra que o trabalho supera qualquer dificuldade! :D

ccdr: Diz aí pro pessoal como eles podem adquirir uma cópia do livro :)

H: Quem quiser adquirir uma cópia do livro, pode entrar em contato através do e-mail: contatofelinas@gmail.com – O assunto do e-mail deve ser “Reserva”.
Quem quiser uma cópia digital, pode entrar em contato através do mesmo e-mail, mas o assunto deve ser “Cópia digital”.

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Para quem curtiu o trabalho do Humberto e deseja acompanhá-lo, ele sempre posta fotos de seus projetos em seu instagram: @humbshumbs

Até a próxima ;*